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20.3.06

se eu fosse eu

Quando eu não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar, diria melhor, sentir.

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto, já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas e mudavam inteiramente de vida.

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e entregaria o futuro ao futuro.

"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando, porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

Clarice Lispector

11.3.06

quem procura acha

alguns anos eram comuns os textos que eu escrevia. sempre que assentasse diante do computador escapulia uma reflexão sobre qualquer coisa que me fazia refletir. era algo bem parecido com as imagens que crio hoje: quase instintivo, quase natural, como uma revelação única que apenas eu, entre vários outros, tinha. mesmo desta forma, sem nenhuma base cintífica, suspeitada, estudada e comprovada, minhas teorias a respeito de tudo atingiam tanta solidez, que hoje penso que não eram apenas teorias, mas um processo de formação de caráter e, mais do que isso, de entendimento e questionamento de fatos além de mim, mas que determinavam minha posição em meio a eles.

algo que ainda gosto muito de fazer é vasculhar a internet procurando o que se aproveite. isso me salga, me faz ter sede, me guia a pensar sobre o que vale a pena ser pensado. não apenas na internet, mas informações, conceitos, tentências de quaisquer meios. pois então, hoje visitando um blog de um amigo (na verdade um colega) me senti como se estivesse colocando colheres e colheres de sal na boca e engolindo a seco. cada palavra, cada entre vírgulas, cada nova idéia me fizeram sentir como se os textos que eu escrevia estivessem sendo escritos por ele hoje. uma sensação de que isso me cheira ao futuro conhecimento de fatos verdadeiros começou a tomar conta durante cada leitura. tantas idéias e posições com verdadeira profundidade. que prazer em ler tudo aquilo!

quando estava quase saindo deste blog, me ofereci um copo d'água sobre a bandeja do seguinte comentário: " De onde é este texto? Da sua cabeça?"

6.3.06

os 20 e poucos anos dela





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