A Menina e o poeta
A menina que parece ainda não ter ido, e brinca.
Sua pele é branca e tem gosto de doce de morando.
A boca rosa bombardeia com palavras inexplicáveis,
E pede o que há muito tempo não pedia:
Para um velho poeta aposentado voltar a trabalhar.
A menina canta em tom desafinado as frases da vida.
As mãos (promissoras pianistas) trocam de função,
E o lápis acostuma-se à esquerda.
Os pés não são menos bonitos que de uma bailarina;
Ambos aprenderam suas funções originais.
A menina busca coragem no seu silêncio particular.
Suas letras pingadas simulam um diálogo,
E a linha de antes é apagada e reconstruída.
Talvez ninguém entenderia,
Mas a natureza pronunciou-se.
A menina pega a pá e brinca de castelo de areia.
Suas verdades são reais, e para isso são próprias.
Ela anda, vem, vai e volta, circula e aparece de novo.
E agora interroga o velho poeta que não fecha mais o livro,
Mas ainda fuxica o lixo ao sentir o perfuma de uma flor,
E nem por isso não tem gana pelo paraíso.